31/05/12

Rede de Neblina / Maio 2012

O que foi notícia no mês de Maio...
 

Crédito: David Jones, foto publicada originalmente no UOL Notícias.

  • Tem louco para tudo. Até para criar um monte de pássaros feitos de lego! Por enquanto a série aborda apenas aves da Inglaterra. Mas você pode apoiar a idéia no site da LEGO e sugerir outras espécies.
Lego British Bird Series, by @DeTomaso.

25/05/12

Foto da semana: Cambacica

Alguém sabe a origem deste nome popular tão diferente?



Cambacica (Coreba flaveola)
São Paulo - SP, 18 de Maio de 2012.

22/05/12

Passada rápida pelo Avistar 2012

David Lindo - The urban birder
Parece que todo mundo resolveu marcar eventos no último fim de semana. Fui para São Paulo com uma programação apertada, e calhou que só consegui assistir algumas palestras do Avistar na sexta-feira e dar um pulinho no encontro de blogueiros que rolou domingo. Valeu a pena. Estava muito curiosa para conhecer o inglês David Lindo - "the urban birder". O cara é simpaticíssimo e encantou todo mundo com uma apresentação apaixonada sobre observação de aves em ambientes urbanos. A palestra sobre as últimas novidades no projeto de conservação da ararinha-azul também foi marcante. O pessoal da SAVE Brasil e da Al Wabra Wildlife Preservation (localizada no longínquo Qatar, país do oeste asiático) têm previsão de começar a reintroduzir ararinhas-azuis na natureza a partir de 2017.

Outro assunto que permeou muitas das discussões é a chamada "Citizen Science", ou Ciência Cidadã. A idéia é que pessoas que observam aves como hobby forneçam dados e auxiliem o desenvolvimento de pesquisas científicas. O ornitólogo Mario Cohn-Haft falou bastante da importância dos registros feitos por amadores, principalmente em estudos da distribuição geográfica das espécies. Nos Estados Unidos e Inglaterra, países onde o birdwatching já é tradição, muitos pesquisadores já utilizam banco de dados alimentados por birdwatchers. Aqui no Brasil o Wikiaves deu o pontapé inicial para este tipo de pesquisa.

Eric Gallardo, do Portal Birdwatcher Brasil

O I Encontro de Blogueiros contou com palestrantes muito selecionados. Eric Gallardo, do portal Birdwatcher Brasil, deu uma verdadeira aula de redação otimizada para internet. O pessoal do O Eco falou das peculiaridades do jornalismo ambiental no Brasil, enquanto a Cláudia Komesu (do site Virtude - Birdwatching e Natureza) mostrou as dificuldades e recompensas de se manter um blog como projeto pessoal. Para fechar, o Zé Edu Camargo (do blog Brasil das Aves) contou como foi a criação do blog dentro da National Geographic Brasil, além de histórias curiosas sobre como os temas para as postagens vão aparecendo. Adorei finalmente conhecer o rosto de tanta gente que acompanho sempre pela tela do computador. Pena que muitos outros blogueiros de birding não apareceram - ou fui eu que não consegui encontrá-los... Quem sabe tem mais no ano que vem???

Apesar da correria ainda deu tempo de passarinhar um pouquinho pelo Parque Villa-Lobos. Acrescentei algumas espécies à lista do ano passado, entre elas o João-Velho (Celeus flavescens). Foi muito engraçado, pois logo em seguida esbarrei com outro João-Velho, só que este era um pouquinho diferente...

João-Velho (Celeus flavescens) e seu amigo, usado em projetos de educação ambiental dentro do Parque Villa-Lobos.

18/05/12

Foto da semana: Sanhaço-cinzento

Não consigo me acostumar com o novo nome científico deste pássaro... Para mim vai ser sempre Thraupis sayaca...


Sanhaço-cinzento (Tangara sayaca)
São Carlos - SP, 7 de Abril de 2012.

14/05/12

Dando nome aos pássaros: entendendo os nomes científicos

Ornitólogos têm uma relação de amor e ódio com os nomes populares dados às aves. Esses nomes variam muito geograficamente, causando bastante confusão, mas ao mesmo tempo carregam consigo uma bagagem riquíssima de informações. Não vou me alongar muito no assunto, pois já escrevi sobre a importância dos nomes populares no ano passado. A idéia hoje é falar um pouco dos nomes científicos, que tanto facilitam a vida dos pesquisadores mundo afora.


No meio científico, cada espécie de ave (assim como todos os outros seres vivos) recebe um nome, que é único e vale em todo o mundo. Este nome é formado por duas palavras: a primeira é o gênero ao qual a espécie pertence, e a segunda palavra é aquela que vai definir a espécie. No exemplo acima, Furnarius é o gênero ao qual o João-de-barro pertence, uma palavra que vem do latim "furnus" = forno. Ou seja, este é o gênero das aves "forneiras", uma referência ao seu ninho de barro em formato de forno. Também pertencem a este gênero o Casaca-de-couro-da-lama (Furnarius rufus), o Joãozinho (Furnarius minor) e muitas outras. A segunda palavra, "rufus", também vem do latim e significa "vermelho" ou "corado".

Um nome científico completo inclui também a pessoa que descreveu a espécie pela primeira vez, assim como o ano em que isto foi divulgado em uma publicação de cunho científico. O João-de-barro foi descrito pela primeira vez por Johann Friedrich Gmelin, um naturalista alemão, em 1788. Agora, um detalhe importante: seu nome aparece entre parênteses! Isso significa que, apesar de Gmelin ser considerado o "autor" da espécie, o nome dela já sofreu alterações. Originalmente o João-de-barro havia sido descrito como Merops rufus. Mas, ao longo do tempo, outros pesquisadores chegaram a conclusão que ele pertencia ao gênero "Furnarius", por isso a mudança de nome.

Nem sempre é fácil entender o significado de um nome científico. Os autores podem escolher qualquer combinação de palavras, contanto que estejam em latim ou latinizadas. Lembrando que o nome do gênero ao qual a espécie pertence deve ser respeitado (a menos que seja a primeira espécie descrita de um novo gênero, aí o autor pode inventar o primeiro nome também). Muitos aproveitam a ocasião para homenagear pessoas queridas ou cientistas reconhecidos. Veja alguns exemplos:

  • Swainsonii - de Willian Swainson, naturalista inglês (exemplo: Miyarchus swainsonii)
  • Zenaida - de Zénaïde Laetitia Julie Bonaparte, princesa da Espanha (exemplo: Zenaida auriculata)
  • Brissonii - de Mathurin Jacques Brisson, ornitólogo francês (exemplo: Cyanoloxia brissonii)
  • Lawrencii - de George Newbold Lawrence, ornitólogo americano (exemplo: Turdus lawrencii)
  • Nattereri - de Johann Natterer, naturalista austríaco (exemplo: Lanio nattereri)

Em alguns casos o nome científico escolhido tem tudo a ver com a espécie. Muitos nomes descrevem a plumagem:

  • Rufiventris - rufi = avermelhado, ventris = ventre (exemplo: Turdus rufiventris)
  • Lactea - branco, como leite (exemplo: Polioptila lactea)
  • Cyanocorax - cyano = azul escuro, corax = gralha (exemplo: Cyanocorax cristatellus)
  • Flavirostris - flavo = amarelo, rostrum = bico (exemplo: Arremon flavirostris)
  • Melanops - melas = preto, ops = face (exemplo: Lanio melanops)
  • Punctulatus - pontilhado (exemplo: Hylophylax punctulatus)
  • Fasciata - fasciatus = com faixas, estriado (exemplo: Neothraupis fasciata)
  • Squammata - com escamas (plumagem que parece com escamas) (exemplo: Columbina squammata)

Outros nomes têm relação com a morfologia da ave:

  • Cristatus - crista (exemplo: Colinus cristatus)
  • Major - maior, grande (exemplo: Taraba major)
  • Caudacutus - cauda = cauda, acutus = pontiagudo (exemplo: Sclerurus caudacutus)
  • Minuta - pequena (exemplo: Sporophila minuta)





Para fechar: sabia que no Brasil vive a ave com o nome científico mais comprido de todos? É a pequena Peitica-de-chapéu-preto (Griseotyrannus aurantioatrocristatus). Calma. O nome não é tão complicado assim:

  • Griseus = cinza
  • Tyrannus = do gênero Tyrannus = tirano, déspota (em função do comportamento mais agressivo destas aves em relação às outras espécies)
  • Aurantio = laranja
  • Atro = negro
  • Cristatus = crista


Os exemplos daqui tirei do livro Helm Dictionary of Scientific Bird Names, de James A. Joblin. Dá para passar horas só passeando pelas páginas e descobrindo a origem dos mais diversos nomes científicos de aves. Um mais curioso que o outro!